Era uma vez a Família Pereira. Esta família é composta por um pai, Jorge, cirurgião, a mãe, Otília, chefe de cozinha, três filhos, Cristiano, 13 anos, Margarida, 12 e Rui, de 10 anos. A casa da família é branca e moderna, com cinco quartos, para os pais, filhos e visitas. No jardim há uma piscina grande com chão de rocha rugosa à volta.
A família vive na Lagoa de Albufeira, Portugal. Lagoa de Albufeira é um óptimo lugar, a praia fica perto e tem dunas enormes. Em dias de Verão o calor é tanto que ninguém se atreve a sair de casa muito vestido.
Numa manhã, quando a família ainda dormia, ouviu-se o relógio do Cristiano: Bip, bip, bip… Eram 7:30 e o alarme disparou. Cristiano acordou, desligou o alarme e foi para a casa de banho. Depois, fizeram-se ouvir os outros despertadores:
– Bom dia! Você está a ouvir a Rádio Comercial! Vamos começar com uma música de… – diz o despertador do Jorge e da Otília.
– Bom dia! VROOM, VROOOM, Hot Wheels racers acorda e vai correr… – diz o despertador do Rui.
À mesa, vestidos e com a mochila pronta, o pai diz:
– Para a semana vamos para Sevilha, em Espanha.
– Quer dizer que vamos para a Ilha Mágica?! – pergunta a Margarida, excitada com a notícia.
– Sim, mas acalma-te e deixa o teu pai acabar – retorquiu a mãe.
– Boa!!! – exclamaram Rui e Cristiano.
– Partimos cedo e ficamos lá uma semana.
Os filhos vão para a escola, entusiasmadíssimos, a pensar nas férias mas, quando regressaram a casa, tiveram uma horrível surpresa: a sua prima Joana Pereira tinha chegado para passar férias com eles. Vinha com uma grande mala e disse:
– Bom dia! Olá primos.
– Será que já não vamos de férias? A Joana chegou sem nós estarmos à espera! – pensaram os três irmãos.
Perguntaram ao pai se afinal iam ou não para Sevilha.
– Vamos. Eu e a vossa mãe pedimos desculpa por não vos termos avisado sobre a vinda da vossa prima, mas foi tudo combinado à última da hora.
No carro, em viagem, a mãe sussurra para o marido:
– Olha a Joana, está decepcionada e sozinha lá atrás. Encosta aí que vou sentar-me ao pé dela.
O pai encosta e o Cristiano pergunta:
– Porque paramos, pai?
– Por nada – responde ele.
A mãe troca de lugar e a viagem continua. Pouco depois começa a falar com a Joana sobre a escola e a sua vida social e esta começa a animar-se e a responder a tudo.
– Os meus pais, ao contrário de vocês, nunca passam tempo com os filhos. Eles foram a Paris e não nos levaram. Quando chegam a casa só ajudam o Cláudio por ter dislexia, mas eu não sou sobredotada, também preciso de ajuda…
A Margarida pensa:
– A mãe nunca conversa assim comigo, eu detesto esta Joana.
– Chegámos à Ilha Mágica! – gritou o pai.
– Sabe bem sair e esticar as pernas – diz o Rui – Agora, para haver muita diversão e adrenalina, vamos entrar.
Eles passam o bilhete, entram e discutem:
– Eu quero ir para a Catarata – berra o Cristiano.
– Eu quero ir comer – afirma a Joana.
– Ok! Vamos comer. – disse o pai – O que querem comer?
– Eu quero um cachorro-quente – diz o Rui – e… e com mostarda!
– Eu quero uma salada – diz a Joana.
– Eu quero um hambúrguer – diz o Cristiano.
– Calma, temos de nos despachar! Meninos, só comemos uma coisa, escolham. – ordenou o pai.
– PIZZA! – responderam todos em simultâneo, sem hesitar.
– Eu oiço bem, não precisam de gritar.
Momentos depois dirigiam-se à Catarata com uma pizza no estômago.
– Estou tão contente! – exclama o Cristiano ao entrar no barco.
A viagem começa e sobem devagar. Depois aparece uma descida a pico. Quando chegam ao fim a descida… SPLASH! Saltam litros de água que molham toda a gente.
Cristiano e Rui gritam:
– WWWOOWWW. Isto é espectacular!!!
Mas o que é bom acaba depressa e, pouco depois de gritarem, a Catarata acabou.
A diversão e a adrenalina continuaram durante os dias que lá estiveram e a família divertia-se cada vez mais, mas acabaram por voltar para casa.
Em casa, a diversão também não acabava. Brincavam na piscina, faziam corridas de carros telecomandados personalizados, brincavam às escondidas, pintavam-se uns aos outros…
Uma noite, estavam as duas raparigas a conversar sobre a escola e de quem gostavam e porquê, quando a Joana, de repente, declara:
– Tu não sabes a sorte que tens.
– Porquê? – perguntou a Margarida.
– Os teus pais tratam-te muito bem, preocupam-se contigo. Os meus não.
– Eles não se preocupam contigo?! Como assim?
– Eles não me ajudam nos trabalhos de casa, não estão presentes nas minhas actividades, nem sequer estão comigo nas férias. – explicou a Joana.
– MENINOS! JANTAR! – chamou a mãe.
– Vamos? – perguntou Joana.
– Sim – retorquiu Margarida, surpreendida com aquelas confidências.
À conversa, durante o jantar, Margarida olhou “com outros olhos” para a sua prima, ficou mais sensível à sua situação e percebeu porque é que anteriormente a sua mãe se fora sentar ao pé dela no carro.
Mais tarde, os tios e os pais da Joana reuniram-se e falaram sobre o assunto e ela passou a receber mais atenção e ajuda dos pais.
Ao fim de vinte anos muito aconteceu.
Joana tornou-se psicóloga.
Cristiano tornou-se engenheiro de montanhas-russas.
Rui tornou-se piloto, mundialmente famoso, de Fórmula 1.
Margarida tornou-se escritora.
Otília e Jorge reformaram-se.
Texto escrito por Diogo Marques, nº16, a partir de uma ideia original de Mariana Duarte, nº23, 6ºD.