Dia Mundial de Luta Contra a Sida

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A INFECÇÃO POR VIH : IMPACTO PSICOSSOCIAL

     A SIDA, como doença mortal, para a qual não existe cura ou vacina, levanta diversas questões, sobretudo a da qualidade de vida do doente e de como e quando chegar ao “fim”. Apresenta, também, outros aspectos peculiares graves: é altamente debilitante e esteticamente degradante, é contagiante e tem uma origem sobre a transmissão (sobretudo sexual), que levanta possibilidades de consequentes estigmatizações sociais e discriminação no indivíduo seropositivo.
     Quando falamos de SIDA não falamos apenas de uma doença, mas sim de uma situação definida e circunscrita pela perda concreta de muitos projectos, muitas esperanças e muitas ilusões…
    Luc Montagnier(investigador francês responsável pela descoberta do VIH), referia-se em 1994 à infecção pelo VIH/sida como sendo uma doença de enorme impacto psicológico relacionado com o seu carácter epidémico, transmissível, incurável, letal, inexistência de vacina, e ao facto de ter sido inicialmente associada a comportamentos mais frequentes em homossexuais e toxicodependentes. Considerou, também, que, devido a esta definição da doença, se criou um duplo estigma: como doença grave que pode ser transmitida a outros e como doença associada a pessoas e grupos já marginalizados antes da existência da epidemia. Estão, deste modo, criadas duas condições fundamentais para o surgimento de uma resposta discriminatória e culpabilizadora por parte da sociedade, em que muitos viram na doença o castigo para certos comportamentos desviantes.
     Passados 13 anos os medos, as crenças e as dúvidas continuam, apesar dos especialistas, técnicos, professores, os media e tantas outras entidades terem difundido os modos de transmissão, e assegurarem que o vírus não se transmite através de contactos sociais, continuam na sociedade os medos e dúvidas. Estes medos fazem com que os seropositivos sejam discriminados.
     Veja-se este exemplo, segundo um estudo recente (Amaro F. et al, 2004) feito em Portugal, 38% dos inquiridos referiam para os doentes com SIDA o isolamento total ou parcial !
     A abordagem deste tópico prende-se com o impacto dramático desta doença não só no indivíduo como na sociedade, sendo por isso necessário e urgente apostar na única arma conhecida para a combater – a prevenção.
    Pensamos por isso que, o combate à infecção por VIH/sida começa com o conhecimento da doença e o modo como nos podemos e devemos proteger!
    A infecção pelo VIH transmite-se apenas por três vias: via sexual, via sanguínea (agulhas e outros objectos contaminados com sangue ou com fluidos corporais contaminados de infectados), via vertical, isto é de mãe infectada para filho (gravidez, parto e aleitamento).
    O VIH encontra-se em certos fluídos do corpo em grandes quantidades, no sangue, no sémen e nas secreções vaginais. Já noutros fluídos, como a saliva, suor, fezes e urina, as quantidades são tão pequenas, não sendo por isso suficientes para infectar outra pessoa. Daí que o beijo na boca “normal” e o “profundo”, bem como manobras de ressuscitação cardiorespiratória, ou mesmo a mordedura, não ofereçam perigo, a menos que exista sangue (Montagnier et al, 1994).
     Os profissionais de saúde, através da medicina invasiva e dos procedimentos dentários, por exemplo, estão sujeitos a uma exposição bidireccional ao VIH. No entanto, dados recentes apontam para a existência de um número pouco significativo de profissionais de saúde infectados a partir dos doentes e vice – versa. Actualmente, estes riscos são extremamente baixos, devido às estratégias e medidas universais de controlo e de precauções aplicadas a este tipo de procedimentos (Center of Diseases Control,2005).
     O risco de transmissão depende do tipo de exposição (percutânea, mucosas, pele), do tipo de produto infectado (sangue, fluídos) e do seu alto ou baixo potencial contagiante (valor da carga vírica).
     Quanto às picadas de mosquito, não existe risco de transmissão, já que a quantidade inoculada pelos insectos nunca é suficiente para conter uma dose infecciosa do vírus (Montagnier et al, 1994; CNLCS, 2000). Poderemos acrescentar que a tromba do mosquito contém apenas 2 milésimos de milímetro cúbico de sangue, que ao chegar ao estômago do insecto é inactivado, como se estivesse sujeito à acção do calor ou de detergentes (Montagnier et al, 1994).
     É no entanto, através de determinados comportamentos humanos, os chamados comportamentos de risco (relações sexuais sem o uso do preservativo, partilha de materiais infectados e da preparação de drogas injectáveis), que o VIH mais se propaga. Mas, como diz o Professor Machado Caetano, não se “apanha” SIDA pelo que se é, mas pelo que se faz.
     Os últimos dados da UNAIDS, a entidade das Nações Unidas ligada à infecção VIH/sida, indicam que, o número de novos casos e de mortes por sida está a baixar. No entanto, estima-se que em 2007 existam em todo o mundo 33.2 milhões de pessoas infectadas, durante este ano surgiram 2,5 milhões de novos casos e que tenham morrido um total de 2, 1 milhões de pessoas vitimas desta pandemia, que não escolhe sexo, idade, etnia, profissão ou posição social…

Fernanda Bernardes Silva Barahona
(Lic. em Biologia e Mestre em Sida /UCoimbra)

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